JESUS CRISTO
A Obra Redentora
Os líderes religiosos judeus, contemporâneos de Jesus, preferiam que ele nunca tivesse aparecido. Tentaram desacreditá-lo, desmenti-lo, embaraçá-lo, contradizê-lo, diretamente ou por meio de terceiros. Nada disso funcionou. Jesus falava com autoridade, o que ficou evidente desde seu colóquio com os mestres da religião no templo, aos 12 anos. Ao longo de seu ministério, cada confronto evidenciava sua messianidade e autenticidade, mesmo ou principalmente quando afirmou sua deidade. “Eu Sou”, revelou Jesus. O embaraço dos seus oponentes tornava-se cada vez mais odioso. Então, por todos esses motivos, decidiram eliminá-lo. Covardemente preso às escondidas e vergonhosamente julgado numa farsa de justiça, foi assassinado, silenciado. Ou assim julgaram os precoce e inutilmente aliviados religiosos. A ressurreição de Jesus foi inegável e solidamente comprovada, como demonstram os Evangelhos e o apóstolo Paulo. Não se pode descartá-lo. Não se pode silenciá-lo.
Essa tentativa, porém, continuou ao longo dos séculos. Por volta de 303 d.C., o imperador Diocleciano promoveu a chamada Grande Perseguição. Ordenou que se queimassem todas as cópias das Escrituras. Após a legitimação do cristianismo sob Constantino (313 d.C.) e sua oficialização por Teodósio (380 d.C.) passou a ocorrer a oposição a Cristo dentro da igreja. A negação de Jesus se viu primeiro não em seus Concílios, inicialmente importantes para afirmação da doutrina de Deus, particularmente a Cristologia. Ocorre que massas não convertidas trouxeram para a igreja suas crenças pagãs que foram apenas “batizadas” e em seguida chanceladas por Roma, dentre as quais o culto a Maria, uma versão cristianizada das deusas pagãs. Jesus Cristo foi relegado a segundo plano. Essa distorção se vê ainda hoje. A maioria dos templos católicos é dedicada a Maria, não a Jesus. O Solus Christus da Reforma, porém, rejeitou essa negação pecaminosa.
Em tempos recentes, a sociedade secularizada adotou a tentativa de negação de Jesus na troca das siglas a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo) pelas siglas AEC (antes da era comum) e DEC (depois da era comum). Tentativas risíveis, uma vez que as tais eras comuns são contadas a partir do nascimento de Jesus. Não se pode descartá-lo. Não devemos, porém, nos descuidar. Devemos exaltar nosso Senhor Jesus Cristo e sua preeminência. Rejeitaremos, por exemplo, mensagens – às vezes até sobre passagens dos próprios Evangelhos – nas quais Cristo é obliterado em favor de lições de moral ou de autoajuda. Com esse histórico e em tal cenário, que alegria produz este livro de Augustus Nicodemus! Nosso querido irmão se tornou conhecido como mestre e expositor das Escrituras – que sempre apresentam Jesus – e aqui concentra-se na história de nosso Senhor tal como relatada no Evangelho de Marcos. Trata-se de um delicioso e edificante recurso para nos aproximarmos mais do Mestre Divino e o anunciarmos aos que tentam desacreditá-lo, desmenti-lo, embaraçá-lo ou contradizê-lo em nossos dias. E certamente aos que não o conhecem e precisam ouvir seu evangelho.
Maria era uma moça judia, virgem, que morava em Nazaré da Galileia, região ao Norte da Judeia. Ela era da tribo de Judá e estava noiva de José, um carpinteiro da mesma tribo. Certo dia, o anjo Gabriel lhe apareceu e anunciou que ela teria um filho. Ele seria gerado pelo Espírito Santo no seu ventre, sem participação humana. Ele seria o Filho de Deus e seu nome seria Jesus. Maria anunciou sua gravidez sobrenatural a José, que não acreditou nela. Ele, então, planejou abandoná-la em segredo, para evitar ter de denunciá-la por adultério. Porém, o mesmo anjo Gabriel lhe apareceu e anunciou que Maria estava grávida pelo Espírito Santo e que José deveria recebê-la como sua esposa. O anjo ratificou que o nome do menino seria Jesus, que ele seria o Filho de Deus e que salvaria o seu povo dos pecados deles. Em hebraico, a raiz da palavra “Jesus” significa “salvar” ou “salvador”. José, então, recebeu Maria como sua esposa, mas eles só tiveram relações após ela dar à luz o seu filho primogênito.
Vários meses após a anunciação, José e Maria foram a Belém da Judeia para atender à ordem de recenseamento do imperador César Augusto. Na cidade, chegou a hora de Maria dar à luz, mas não havia lugar nas hospedarias. Ela, então, deu à luz seu filho numa estrebaria, colocando-o numa manjedoura. Um coro de anjos apareceu a pastores que estavam no campo, nas vigílias da noite. Era provavelmente uma noite agradável, entre abril e julho (primavera), não em dezembro, conforme a tradição cristã. Após anunciar o nascimento do Messias em Belém, os anjos entoaram um coro celestial de louvor e adoração a Deus e retornaram para o céu. Os pastores foram até Belém para ver o que havia acontecido e ali encontram José, Maria e o menino recém-nascido, conforme anunciado. E então voltam para casa, louvando a Deus por tudo o que tinham visto. Aparentemente, José e Maria ficaram ainda cerca de dois anos na cidade de Belém.
Quando completou oito dias, Jesus foi circuncidado por seu pai ou pelos rabinos da cidade, provavelmente em Belém. A circuncisão era o sinal da aliança de Deus com o povo de Israel e era aplicada a todos os meninos de oito dias. A Lei de Moisés requeria um sacrifício pela purificação da mulher 40 dias após ter dado à luz um menino (Lv 12.1-8). José e Maria foram com Jesus a Jerusalém para cumprir a exigência e apresentar Jesus no templo. Como eram pobres e não podiam oferecer ovelhas, ofereceram um casal de pombinhos. Enquanto estavam no templo, um judeu piedoso chamado Simeão e uma profetisa chamada Ana profetizaram acerca do ministério de Jesus e de sua morte. Após esses fatos, José e Maria voltaram para Belém com Jesus.
Cerca de dois anos depois do nascimento de Jesus, apareceram magos do Oriente em Jerusalém perguntando pelo Messias. Não sabemos seus nomes, não sabemos quantos eram e nem se eram reis. Eles disseram que tinham visto uma nova estrela no céu e interpretaram que tal fenômeno indicava o nascimento do futuro rei dos judeus. Esses magos tinham sido provavelmente influenciados por tradições judaicas do tempo em que Daniel vivera na Babilônia e fora o chefe dos magos caldeus (Dn 2.48). Herodes, o rei dos judeus, tomou conhecimento da chegada deles a Jerusalém e tentou obter informações sobre o tempo decorrido desde a aparição da estrela. Também se informou com os mestres da Lei sobre o local do nascimento do Messias. Herodes tentou enganar os magos porque queria matar o menino, que ele passou a ver como seu rival.
Os magos foram guiados pela estrela até Belém, onde encontraram José, Maria e o menino Jesus em sua casa. Notemos que eles não estavam mais numa estrebaria, nem Jesus, numa manjedoura. Os famosos “presépios” que mostram Jesus sendo adorado por três reis magos na estrebaria, cercado de animais, são baseados em relatos apócrifos e na religiosidade popular. Os magos adoraram o menino e lhe deram ofertas: ouro, incenso e mirra (uma resina aromática cara, feita da seiva de certos arbustos). Então regressaram para seu país, sem informar a Herodes o paradeiro do Messias. Furioso, o cruel soberano mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas cidades vizinhas, na expectativa de que o menino Jesus estivesse entre eles. Porém, avisados por um anjo, José e Maria fugiram com Jesus para o Egito. Todos os meninos menores de dois anos daquela região foram mortos pelo perverso Herodes, trazendo grande choro a Belém e arredores. José, Maria e Jesus permaneceram no Egito até a morte de Herodes e então voltaram para morar na cidade de Nazaré, na Galileia, que era a cidade de José e Maria.
Jesus cresceu em Nazaré da Galileia. Lá passou sua infância, adolescência, mocidade e início da vida adulta. José e Maria tiveram filhos depois de Jesus. Seus nomes são Tiago, José, Judas e Simão. Tiveram também filhas, cujos nomes não sabemos (cf. Mc 6.1-4). Jesus aprendeu a profissão do seu pai e era carpinteiro (veja “o carpinteiro”, Mc 6.3). Aos 12 anos, Jesus foi ao templo com seus pais para uma das festas religiosas dos judeus. Era costume dos judeus levar os filhos de 12 anos para a iniciação à vida adulta no templo (atualmente, a cerimônia do bar mitzvah, “filho do mandamento”, ocorre aos 13 anos). Quando retornavam para casa, José e Maria deram pela falta de Jesus. Ele havia ficado no templo discutindo com os doutores acerca de questões da Lei de Moisés. Ao ser repreendido pelos pais, respondeu que estava cuidando das coisas do seu Pai celestial, resposta que Maria guardou no coração. Depois disso, voltou para casa com seus pais e cresceu como um menino obediente, cheio de graça e de santidade.
Nada mais sabemos sobre a infância de Jesus e nem sobre sua vida até ele aparecer no rio Jordão, aos 30 anos de idade, para ser batizado por João Batista. Muitos relatos espúrios, chamados de “evangelhos apócrifos”, tentam preencher essa lacuna com histórias fantasiosas acerca do menino Jesus. Alguns sugerem que Jesus foi aprender artes mágicas na Índia ou no Egito, ou ainda que viveu entre a seita dos essênios, às margens do Mar Morto. Nenhuma dessas histórias ou hipóteses tem qualquer fundamento bíblico. O que sabemos ao certo sobre esse período da vida de Jesus está somente nos Evangelhos: ele cresceu em Nazaré com sua família e se tornou carpinteiro como seu pai.
Jesus era o Filho de Deus, gerado no ventre de Maria pelo Espírito Santo “O Verbo se fez carne” (Jo 1.14) Era necessário que o Filho de Deus se tornasse verdadeiramente humano, para nos representar e morrer por nós. Ele nasceu sem pecado original e nunca pecou. Era, ao mesmo tempo, Deus e homem. Somente alguém assim poderia redimir dos seus pecados o povo de Deus.
O maior ensinamento da vida de Jesus Cristo é que Ele é o Salvador que entregou Sua vida por nós, permitindo que, por meio de Sua morte e ressurreição, tenhamos acesso à vida eterna. Seu amor e sua promessa de redenção nos convidam a crer, oferecendo esperança e transformação para todos que o seguem.
Ele se submeteu à circuncisão e às leis cerimoniais de purificação, bem como à tradição judaica da apresentação no templo. Embora sendo Deus, humilhou-se e nasceu “sob a lei” (Gl 4.4). Notemos também que, em sua perfeita humanidade, Jesus cedo teve consciência de que era o Filho de Deus, conforme se referiu a Deus como “meu Pai”, ao ser repreendido por José e Maria por ter ficado no templo. Ele cresceu ali na Galileia, como uma criança normal, aguardando o tempo de se manifestar a Israel.
O nascimento de Jesus e os fatos que se seguiram representaram o cumprimento de várias profecias, desde o lugar onde nasceria até sua saída do Egito de volta para casa. Esses fatos confirmam as Escrituras como a inerrante e infalível Palavra de Deus e nos asseguram que Deus igualmente cumprirá as profecias que ainda restam cumprir-se acerca do seu Filho, sendo a maior delas a sua segunda vinda.
O amor de Cristo por seu povo é tão grande que ele se humilhou e nasceu como filho de um casal pobre da região mais desprezada da Judeia. Jesus Cristo participa da nossa humanidade e assim nos entende e socorre perfeitamente. É um erro enfatizar a divindade de Cristo em detrimento de sua humanidade.